Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS
Presidente do Senado rejeita recurso da base governista que apontava erro na proclamação do resultado e confirma validade da votação na comissão mista.
Recurso da base governista alegava erro na proclamação do resultado; presidente do Senado afirma que não houve maioria para anular votação
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter válida a votação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão foi tomada após parlamentares da base governista apresentarem recurso para anular o resultado da sessão realizada em 26 de fevereiro.
O que estava em discussão
O recurso foi assinado por 14 senadores e deputados aliados ao governo. O grupo alegou que a maioria dos integrantes da comissão teria rejeitado os requerimentos incluídos na pauta, mas que o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), proclamou o resultado como aprovado.
Na votação, os parlamentares favoráveis deveriam permanecer sentados, enquanto os contrários deveriam se levantar.
Segundo a base governista, Viana declarou a aprovação quando apenas sete parlamentares estavam de pé. No recurso, os signatários sustentaram que 14 integrantes teriam votado contra os requerimentos.

Parecer técnico e decisão
Antes de decidir, Alcolumbre solicitou parecer da Advocacia do Senado e da Secretaria-Geral da Mesa.
Os dois órgãos informaram que 31 parlamentares registraram presença no momento da votação. Nesse cenário, seriam necessários 16 votos contrários para configurar maioria.
Ao rejeitar o recurso, Alcolumbre afirmou que decisões em comissões parlamentares exigem maioria de votos, com presença da maioria absoluta dos membros
“No caso concreto, sustenta-se que 14 parlamentares teriam se manifestado contrariamente aos requerimentos submetidos à apreciação. Ainda assim, esse número de votos contrários não seria suficiente para a configuração da maioria”, declarou.
“Esta presidência conclui que a suposta violação das normas regimentais e constitucionais pelo presidente da CPMI não se mostra evidente e inequívoca.”
Com isso, permanece válida a deliberação da comissão.
O que foi aprovado
A CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva. O requerimento foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) e inclui a elaboração de relatórios de inteligência financeira.
Lulinha é citado em decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União a realizarem, em 18 de dezembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto.
A operação investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados que teria atingido aposentados e pensionistas do INSS.
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Federal, mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como operador do esquema, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. Segundo os investigadores, a expressão faria referência a Lulinha.
Defesa
Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele não possui qualquer relação com as fraudes investigadas.
Os advogados sustentam que o empresário não participou de desvios e não recebeu valores de origem criminosa.







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