CPMI do INSS aprova quebra de sigilos do filho do presidente Lula e amplia investigação sobre suposto esquema de desvios
Comissão investiga supostos desvios em benefícios previdenciários e apura possíveis repasses mensais ao filho do presidente Lula
Sessão da CPMI do INSS no Congresso Nacional durante votação de requerimentos; ao fundo, imagem institucional do Palácio do Planalto. Comissão também autoriza acesso a dados fiscais e bancários e aprova 87 requerimentos em sessão marcada por tensão
Brasília — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A comissão investiga suspeitas de desvios em repasses de benefícios destinados a aposentados e pensionistas. O nome de Lulinha foi citado em uma das fases da Polícia Federal, na Operação Sem Desconto, como possível beneficiário indireto do esquema. Até o momento, ele não figura formalmente como alvo da investigação.

Suposta ligação com investigado
De acordo com informações reunidas pelos investigadores, há menções diretas e indiretas que apontariam Lulinha como suposto “sócio oculto” do empresário Antonio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Antunes é apontado como intermediador do esquema, responsável por receber valores descontados indevidamente de aposentados e, posteriormente, redistribuí-los.
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-funcionário de Antunes, Edson Claro, afirmou que Lulinha receberia uma suposta “mesada” de R$ 300 mil. O mesmo valor teria sido mencionado em troca de mensagens entre Antunes e a empresária Roberta Luchsinger, nas quais o investigado afirma precisar repassar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”.
O presidente Lula declarou publicamente que, caso haja irregularidades comprovadas, seu filho deverá responder na forma da lei.
Crescimento de repasses ao sindicato
Outro ponto sob análise na CPMI envolve o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), presidido por Frei Chico, irmão do presidente. Segundo dados apresentados na comissão, os valores repassados pelo INSS à entidade entre 2020 e 2024 teriam aumentado 564%. A instituição também está no foco de questionamentos da oposição.

Acesso a dados financeiros
O pedido de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Com a aprovação, os parlamentares poderão acessar extratos bancários, movimentações financeiras, declarações de Imposto de Renda e contratos vinculados a Lulinha, com o objetivo de verificar a existência de movimentações compatíveis com os valores mencionados nos depoimentos.

Sessão tensa e votação em bloco
A base governista defendeu a votação em bloco dos requerimentos previstos na pauta. Ao todo, 87 pedidos foram aprovados, incluindo a convocação do ex-ministro da Cidadania João Roma (PL-BA) e a quebra de sigilos bancário e fiscal do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras.
A sessão foi marcada por bate-boca entre parlamentares e acabou suspensa após momentos de confusão. Até então, governistas vinham conseguindo barrar requerimentos da oposição, que desta vez obteve maioria suficiente para aprovar parte de seus pedidos.






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