Atos contra Lula e STF reúnem milhares em ao menos 20 cidades, e marcam estreia de Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto
Manifestações na Avenida Paulista marcam estreia de Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto e evidenciam disputa interna de estratégias na direita
Manifestantes ocupam a Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato bolsonarista contra o governo Lula e o STF neste domingo (1º). Manifestações convocadas por lideranças bolsonaristas neste domingo (1º) levaram milhares de apoiadores às ruas em pelo menos 20 cidades brasileiras e transformaram a Avenida Paulista, em São Paulo, no principal palco da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal neste início de 2026.
Com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, o ato marcou a primeira grande mobilização nacional do campo bolsonarista após o senador Flávio Bolsonaro ser apresentado como pré-candidato à Presidência da República, com aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o confronto político com o STF consolidaram-se como eixos centrais do discurso da direita.
Na capital paulista, dois quarteirões da Paulista, nas proximidades do Masp, estavam ocupados por manifestantes por volta das 15h. Cartazes com críticas a ministros do Supremo, pedidos de liberdade para Bolsonaro e bandeiras do Brasil se misturavam a bonecos infláveis de autoridades públicas.
Os atos foram convocados pelo deputado Nikolas Ferreira e pelo pastor Silas Malafaia. Além de Flávio, participaram da manifestação em São Paulo os governadores Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, de Goiás, ambos cotados como pré-candidatos ao Planalto. Não houve estimativa oficial de público até o fechamento desta reportagem.

Flávio busca protagonismo com discurso institucional
Último a discursar, Flávio Bolsonaro adotou tom moderado ao defender o impeachment de ministros do STF, evitando ataques diretos e enquadrando a pauta como defesa das instituições. Segundo ele, a ausência de maioria no Senado inviabiliza hoje esse tipo de iniciativa.
O senador também procurou diferenciar o Supremo enquanto instituição das decisões individuais de magistrados e afirmou que o objetivo do grupo é disputar o poder político pelas vias eleitorais. Em fala direcionada à militância, indicou sua disposição de concorrer à Presidência em 2026 e afirmou que Bolsonaro voltaria ao Palácio do Planalto em 2027.
Nos bastidores do PL, a estratégia discutida passa por reduzir o confronto direto com a Corte e concentrar esforços na eleição para o Senado, visto como peça-chave para eventuais pedidos de impeachment. Flávio participou do ato usando colete à prova de balas, gesto interpretado como símbolo da tensão política atual.
Nikolas adota tom radical e reforça base mais mobilizada
Em contraste, Nikolas Ferreira utilizou retórica de confronto direto, com críticas duras ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF. O deputado associou seus ataques ao julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e fez referências de cunho religioso, discurso que mantém engajada a ala mais radical do bolsonarismo.
A postura evidencia a tensão interna entre uma estratégia eleitoral mais moderada e a manutenção de um discurso de enfrentamento direto às instituições.

Malafaia critica inquéritos e governadores sinalizam 2026
Silas Malafaia fez um dos discursos mais duros do ato, criticando o inquérito das fake news e acusando o STF de criminalizar opiniões. O pastor também mencionou supostos conflitos de interesse envolvendo ministros, embora não haja decisão judicial que aponte irregularidades.
Já os governadores presentes adotaram tom eleitoral. Caiado prometeu anistia ampla aos condenados do 8 de janeiro em eventual governo, enquanto Zema atacou o que chamou de “intocáveis de Brasília”, sem citar nomes.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou apoio ao grupo, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) não compareceu por compromissos internacionais.

Carta de Bolsonaro e cenário nacional
Durante o ato, Michelle Bolsonaro divulgou carta assinada por Jair Bolsonaro pedindo união da direita e defendendo diálogo na definição de candidaturas ao Senado. O gesto ocorre em meio a disputas internas no PL e à reorganização do campo conservador para 2026.
Além de São Paulo, houve manifestações em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Fortaleza. Na capital federal, o ato ocorreu em frente ao Museu Nacional da República.
As mobilizações acontecem em meio à intensificação da pré-campanha eleitoral e à elevada tensão institucional entre governo, oposição e Judiciário. Para aliados de Lula, os atos buscam pressionar o STF; para os organizadores, tratam-se de manifestações em defesa da liberdade e contra o que classificam como excessos da Corte.






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