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Bom Lugar,06/03/2026

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Chuvas deixam ao menos 30 mortos na Zona da Mata de Minas e provocam destruição em cidades do Sudeste

Juiz de Fora concentra a maioria das vítimas e tem dezenas de desaparecidos; governos federal e estadual mobilizam equipes de emergência enquanto previsão indica continuidade das chuvas


Chuvas deixam ao menos 30 mortos na Zona da Mata de Minas e provocam destruição em cidades do Sudeste Encosta desaba em Juiz de Fora (MG) após chuva intensa, destruindo casas e deixando mortos, feridos e dezenas de desaparecidos na Zona da Mata mineira.

As fortes chuvas que atingem a Região Sudeste desde a noite de segunda-feira (23/2) provocaram ao menos 30 mortes na Zona da Mata de Minas Gerais, segundo o Corpo de Bombeiros. Além de Minas, os temporais também causaram vítimas, desalojamentos e prejuízos no Rio de Janeiro e em São Paulo.


Minas Gerais concentra o maior número de óbitos. Em Juiz de Fora, uma das cidades mais atingidas, foram confirmadas 24 mortes nas últimas 24 horas, além de pelo menos 37 pessoas desaparecidas. Já em Ubá, a cerca de 100 quilômetros de Juiz de Fora, seis mortes foram registradas e duas pessoas seguem desaparecidas.


Em apenas sete horas, Juiz de Fora acumulou cerca de 80% da média de chuva prevista para todo o mês. Diante da gravidade da situação, a prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, medida reconhecida pelo governo federal.


“Hoje é o dia mais triste dos meus cinco anos e dois meses de governo, porque registramos, pela primeira vez, perdas de vidas em decorrência desses fenômenos climáticos”, afirmou a prefeita, citando deslizamentos de encostas e o volume extremo de chuva.


Segundo a prefeitura, ao menos 20 imóveis foram soterrados, principalmente na região sudeste da cidade. Há 440 pessoas desabrigadas, acolhidas provisoriamente em três escolas municipais.



Entre as vítimas estão três alunos da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves — Maitê Cedlia Pereira Fernandes e os irmãos Arthur Rafael de Oliveira Machado e Miguel Carlos da Silva Machado — além da mãe de dois deles, Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza.


O Corpo de Bombeiros recebeu reforço de 150 agentes de outras cidades, com apoio de cães farejadores. No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou e cobriu 12 imóveis; ao menos quatro mortes foram confirmadas no local, e 17 pessoas seguem desaparecidas.


Em Ubá, o volume de chuva chegou a 170 milímetros em cerca de três horas e meia. O rio Ubá atingiu 7,82 metros, transbordou e alagou diversos bairros. O prefeito José Damato Neto (PSD) também decretou calamidade pública e classificou o episódio como “a maior enchente da história” do município.


O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias e afirmou que o estado fará “tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento”. Em viagem oficial à Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio imediato de equipes federais para auxiliar os municípios atingidos.


De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado recente de chuvas na Zona da Mata chegou a 209,4 mm, somando 589,6 mm apenas em fevereiro. A previsão indica continuidade das instabilidades, com novos volumes entre 40 e 60 mm nos próximos dias.



Tremor de terra não tem relação com deslizamentos


Moradores de Juiz de Fora relataram um tremor de terra no fim de semana anterior às tragédias. A Rede Sismográfica Brasileira, em parceria com o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), registrou um abalo de magnitude 2,1 no sábado (21/2).


O sismólogo Bruno Collaço descartou qualquer relação entre o tremor e os deslizamentos. Segundo ele, abalos dessa magnitude são comuns no Brasil e não têm força suficiente para comprometer estruturas ou provocar escorregamentos de encostas.



O que explica a tempestade


Especialistas apontam que uma combinação de frente fria, calor intenso, alta umidade e relevo acidentado resultou na tempestade histórica. A presença de um cavado atmosférico favoreceu a formação de nuvens carregadas e manteve a chuva concentrada sobre áreas de encosta, agravando os impactos.


Apesar da previsão de volumes menores nos próximos dias, o solo já encharcado mantém o risco elevado de novos deslizamentos e enchentes, inclusive em outras regiões de Minas Gerais.


Impactos em RJ e SP


No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O município decretou situação de emergência e cerca de 600 pessoas estão desalojadas. Em São Paulo, a Defesa Civil contabiliza 19 mortes desde o início da Operação Verão, com maior risco no litoral, onde o alerta vermelho para chuvas intensas segue em vigor.


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