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Bom Lugar,06/03/2026

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Surto de vírus Nipah na Índia gera alerta nas redes, mas risco de epidemia no Brasil é considerado baixo

Especialistas e Ministério da Saúde descartam casos no país e afirmam que ausência do principal hospedeiro reduz chances de disseminação


Surto de vírus Nipah na Índia gera alerta nas redes, mas risco de epidemia no Brasil é considerado baixo

Com o registro de mais um surto do vírus Nipah na Índia e diante da alta taxa de letalidade da doença, começaram a circular nas redes sociais questionamentos sobre a possibilidade de o Brasil enfrentar uma nova epidemia às vésperas do Carnaval.


De acordo com especialistas, a resposta, no cenário atual, é tranquilizadora: não há risco iminente para o país.


O vírus Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite — inflamação do cérebro — e apresenta elevada taxa de mortalidade. A transmissão ocorre tanto de animais para humanos quanto entre pessoas, embora essa última forma seja menos eficiente.


Segundo pesquisadores, o Brasil não abriga o principal hospedeiro do vírus, os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como “raposa-voadora”. Esses animais são comuns na Ásia e na África e desempenham papel central na disseminação da doença.


O professor Paulo Eduardo Brandão, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, explica que essa ausência reduz significativamente o risco no território brasileiro.




“O vírus Nipah ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, e por isso não se tornou uma pandemia”, afirma o especialista.



Na última terça-feira (10), o Ministério da Saúde divulgou nota oficial desmentindo a confirmação de casos no Brasil. A pasta informou que mantém protocolos permanentes de vigilância para agentes altamente patogênicos e reforçou que o risco de pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo.


“Não há evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”, destacou o ministério.


A avaliação é compartilhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o surto recente na Índia praticamente encerrado.




Alta taxa de letalidade


Classificado pela OMS como vírus prioritário devido ao seu potencial epidêmico, o Nipah não possui vacina nem tratamento específico.


A infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana, explica que o vírus é particularmente agressivo ao sistema nervoso central.


Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e mal-estar. Em alguns casos, porém, a doença evolui rapidamente para alterações neurológicas, confusão mental, convulsões e até coma.


A taxa de mortalidade pode chegar a 70%. O tratamento disponível é apenas de suporte clínico, com controle de sintomas, hidratação e estabilização do paciente.




Como ocorre a transmissão


O vírus é considerado zoonótico, ou seja, é transmitido de animais para humanos — principalmente por meio de morcegos frugívoros e porcos.


A infecção também pode ocorrer por alimentos contaminados ou pelo contato direto com pessoas infectadas, sendo essa transmissão mais frequente em ambientes hospitalares.


Ao entrar no organismo, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central.





Principais sintomas


Entre os sintomas mais comuns estão:



  • Febre



  • Dor de cabeça



  • Dor muscular



  • Fadiga



  • Tontura



  • Dificuldade respiratória



  • Encefalite (com confusão mental, sonolência e convulsões)



Em casos graves, pode haver evolução para coma e morte. Sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas de longo prazo.




Diagnóstico


O diagnóstico é feito com base no histórico clínico e confirmado por exames laboratoriais, como:



  • RT-PCR em fluidos corporais



  • Detecção de anticorpos por ELISA



  • PCR convencional



  • Isolamento viral em cultura de células





Histórico de surtos


O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, durante um surto entre criadores de suínos.


Desde 2001, Bangladesh registra surtos quase anuais. A Índia também já enfrentou episódios graves, como em 2018, quando 17 dos 18 casos confirmados resultaram em morte.


Especialistas apontam que a perda de habitat natural tem aproximado animais silvestres dos humanos, aumentando o risco de transmissão.


Além da Índia e Bangladesh, evidências do vírus já foram encontradas em morcegos de países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.


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