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Bom Lugar,06/03/2026

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Pacote de programas do governo pode injetar R$ 88 bilhões na economia até 2026, aponta BTG

Medidas ampliam impulso fiscal, pressionam a inflação e dificultam o controle das contas públicas, segundo relatório


Pacote de programas do governo pode injetar R$ 88 bilhões na economia até 2026, aponta BTG Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento oficial: programas econômicos devem impulsionar a economia, mas elevam riscos fiscais.

Um pacote de oito programas recém-lançados pelo governo federal deve injetar cerca de R$ 88 bilhões na economia brasileira até o fim de 2026. A iniciativa pode fortalecer as pretensões eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas traz dois efeitos diretos para a economia: o aumento do impulso fiscal, com potencial de pressionar a inflação, e a maior dificuldade no controle das contas públicas.


A estimativa consta em um relatório do BTG Pactual, divulgado a clientes nesta segunda-feira (26). Com base nesse cenário, o banco projeta crescimento de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para o ano anterior, a expectativa é de avanço de 2,2%.


Entre as medidas analisadas estão o crédito consignado privado, com impacto estimado em R$ 24 bilhões, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, avaliada em R$ 31 bilhões, além dos programas Gás do Povo (R$ 1,6 bilhão) e Luz do Povo (R$ 4,3 bilhões). Também fazem parte do pacote iniciativas voltadas à habitação, como a Reforma Casa Brasil (R$ 13,9 bilhões), a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (R$ 7,7 bilhões) e o novo modelo de crédito imobiliário, que pode movimentar R$ 22,3 bilhões. Já as mudanças no saque-aniversário do FGTS devem gerar um impacto negativo estimado em R$ 16,7 bilhões.


Segundo o relatório, parte dessas ações não afeta diretamente o resultado primário. Do total de R$ 88 bilhões monitorados, apenas R$ 33 bilhões têm impacto primário, concentrados principalmente na isenção do Imposto de Renda e no programa Gás do Povo. Os R$ 56 bilhões restantes correspondem a iniciativas de crédito e subsídios que não entram no cálculo direto do resultado fiscal.


O BTG Pactual avalia que o espaço fiscal disponível atualmente é menos restritivo do que em anos anteriores e prevê o cumprimento da meta de resultado primário, considerando as exceções previstas no arcabouço fiscal e o limite inferior da meta. De acordo com o banco, receitas extraordinárias — como dividendos de estatais, leilões de petróleo e acordos de transação tributária — devem ser determinantes para esse desempenho.


Apesar disso, a instituição alerta que os fatores estruturais responsáveis pelo crescimento dos gastos obrigatórios seguem presentes. Entre eles estão a vinculação de benefícios ao salário mínimo, a indexação das despesas com saúde e educação à arrecadação, o envelhecimento da população, regras de elegibilidade pouco focalizadas e o elevado nível de judicialização.


Diante desse cenário, o BTG projeta que a dívida bruta do governo alcance 82,1% do PIB em dezembro de 2026, um aumento de 10,4 pontos percentuais durante o atual mandato presidencial. O relatório destaca ainda que o crescimento real anual de 2,5% no limite de despesas é incompatível com a estabilização da dívida pública no médio prazo, a menos que o ajuste ocorra quase exclusivamente pelo aumento de receitas — alternativa considerada limitada diante do já elevado nível da carga tributária.


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