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Bom Lugar,06/03/2026

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Venezuela anuncia abertura de diálogo diplomático com os EUA após invasão militar

Caracas afirma que tratativas buscam restabelecer relações rompidas desde 2019 e abordar o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama

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Venezuela anuncia abertura de diálogo diplomático com os EUA após invasão militar Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante pronunciamento oficial após a ofensiva militar dos Estados Unidos

A Venezuela anunciou que dará início a um processo exploratório diplomático com os Estados Unidos com o objetivo de restabelecer as relações entre os dois países, rompidas desde 2019. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9) pelo chanceler Yván Gil.


De acordo com o comunicado oficial, a retomada do diálogo deve abordar, entre outros pontos, a denúncia de “agressão e sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama”, além da construção de uma agenda de trabalho baseada em interesses mútuos.


A manifestação ocorre quase uma semana após a invasão militar dos Estados Unidos em território venezuelano, registrada no último sábado (3), que, segundo o governo de Caracas, resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores.


No texto, o governo venezuelano afirma que foi vítima de uma “agressão criminosa, ilegítima e ilegal”, que teria provocado mais de uma centena de mortes entre civis e militares. Segundo a nota, as ações configuram violação direta do direito internacional e da soberania nacional.


“O sequestro ilegal do Presidente Constitucional da República e da Primeira-Dama constitui uma grave violação da imunidade pessoal dos chefes de Estado e dos princípios fundamentais da ordem jurídica internacional”, diz o comunicado, que ressalta ainda que o diálogo será conduzido dentro do marco do direito internacional e dos princípios da diplomacia de paz defendidos pela Venezuela.


O episódio também repercutiu no Brasil. Durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos, o governo brasileiro classificou o sequestro como grave. O embaixador do Brasil junto à entidade, Benoni Belli, afirmou que o cenário remete a práticas consideradas superadas, mas que voltam a ameaçar a estabilidade da América Latina e do Caribe.


Diante da escalada de tensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve conversas com líderes da região. Na quinta-feira (8), Lula recebeu uma ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Brasil e Colômbia possuem as maiores fronteiras terrestres com a Venezuela, com mais de dois mil quilômetros cada.


Em nota, o Palácio do Planalto informou que ambos os presidentes manifestaram preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em desrespeito ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania venezuelana, classificando o episódio como um precedente perigoso para a paz regional e a ordem internacional.


Nos Estados Unidos, o Senado aprovou uma resolução determinando a interrupção do uso da força militar contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso. O texto orienta o presidente norte-americano a cessar ações militares no país, salvo em caso de declaração formal de guerra ou autorização legislativa específica.


Em entrevista ao The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu país pode controlar, por anos, a receita proveniente da venda de petróleo venezuelano. Trump declarou ainda que os EUA já teriam se apropriado de cerca de 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela para refino e comercialização.


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